sábado, 7 de agosto de 2010

Bang bang


Não fora ela quem acendera o rastilho que ainda sobrava de um sonho bomba qualquer. Fora ele que o fizera por ela. Agora a estrada estava limpa. Ele havia rebentado sem qualquer benevolência por eles. Haviam ido os dois para o ar. Acreditara, outrora, que tudo ficava sempre bem no fim do dia. Mas este dia, não havia chegado nunca ao fim. Teria irremediavelmente o tempo corroído as pontas dos seus dedos e dos seus sonhos. À sua maneira, sentiu-o. À sua maneira, esperou tanto dele. Nada se justificara, porque no fim do dia ela ficava sempre sozinha por sua vontade ou não. Sentia o som vindo da sua boca. Engoliu o nó que apertava e esperava. Sem mais nada, o sonho bomba havia explodido mesmo perante os seus olhos. De uma maneira, sabia que não era seguro estar lá, mas ficara só para ter a certeza. Falhara, redondamente. Desta vez assumia-se perante quem a via, desistia do sonho. De todo aquele enredo que a arrastara sem precedentes. Seria figura principal agora de uma tragédia qualquer, de uma novela mexicana por igual. Sentia-o no ar. Para onde ia agora não precisava de travar. Desta vez não. Desta vez fora diferente, e as similitudes haviam sido cessadas por ela mesmo. Não sabia e ainda não sabe.