terça-feira, 4 de agosto de 2009

Se sabes que assim fico, não vás.


Chego a casa depois de um dia atarefado. Em dias habituais, o que me passa pela cabeça é sentar-me por momentos no sofá e não fazer nada. Mas hoje, decisivamente não seria um dia normal. Hoje deixara-me levar, pelo chamamento que és. Não me sentei. Corri para o atendedor de chamadas. Marcava duas mensagens. O coração palpitava, as mãos tremiam e o Mundo assistia àquele degradante espectáculo. Carreguei no botão para ouvir e agora sim, poderia sentar-me. Esperei, até ouvir a tua voz. Esperei até dar sinal que não havia mais mensagens para ouvir. Não te ouvi. Nunca te ouço e jamais te deixarás fazer ouvir por mim. Desiludida, levantei-me e fiz caminho para a banheira. Tal acto inato, para lavar a desilusão que escorria por todo o meu corpo e deixava um cheiro traiçoeiro pela casa. À medida que a esponja percorria o meu corpo, fui-te vendo, fui-me esfregando com mais força para te sacudir da minha banheira. Era pior, voltavas com uma força horripilante e não havia nada que eu conseguisse fazer com a tua visão à minha frente. Dada por vencida, deixei-me desfalecer na banheira. Havia passado duas horas, desde tal incidente. Havia passado duas horas, que deixei a porta aberta para o teu tão inoportuno chamamento, de voltar à casa que conheces de olhos fechados. Estava nua, sozinha, deitada numa banheira já sem espuma e com um sentimento de revolta maior que os metros quadrados da casa. Estava na altura de sair daqui, era tarde e amanhã tudo iria começar do zero. Tal e qual como sempre foi. Pensava que neste jogo já ia avançada, mas pelos vistos (ditam as regras) tenho que recuar para a casa da partida. Estava agora na cama, estava escuro. O teu lado estava frio. Presumo que era nesta parte que me davas um beijo e me desejavas boa noite. Vi-me forçada a agradecer-te e a igualmente desejar-te uma boa noite, mesmo que aqui não estivesses e mesmo que à vista desarmada parecesse uma louca a falar apenas para as paredes me ouvirem. Boa noite meu amor.
É no silêncio da noite que ainda te procuro. É no silêncio da noite que ainda me perco.

11 comentários:

meninadolápismágico disse...

Gostei .
Muito, mesmo .

Cátia'P disse...

E aposto que é no silêncio da noite que as lágrmas procuram o teu rosto porque a saudade e o desespero de estares sozinha sem aviso, assim o ditou.
Como eu me vejo nas tuas palavras, e como saio sempre daqui pensar e com a lágrima no canto do olho :'x (acho até, que já te tinha dito isto :$ mas realmente é verdade :') )

Um beijo :')

b.vilão disse...

"Em todas as ruas te encontro, em todas as ruas te perco"... diria o Cesariny.

Joana ' disse...

Será preciso dizer alguma coisa??
Acho que a excelência do teu texto fala por si... Excelente é sem dúvida a única palavra que me ocorre e dizer mais será inútil depois de tal leitura...

É incrivel como me consegues sempre surpreender *.*

Beijinhos querida

Cátia'P disse...

É uma lágrima de quem se revê nas tuas histórias e sente aquele aperto porque todas as palavras fazem sentido :')
Não são lágrimas de tristeza, são lágrimas pensativas.
É bom *.*

Um grande beijinho :)

Joana ' disse...

Em resposta ao teu comentário:
Querida, eu sei que por vezes, na maioria delas talvez, é necessário cair para ver que errámos, que precisamos de descobrir por nós próprios que não estamos a tomar as aitudes mais correctas... Mas eu sou incapaz de ver a minha D. a afundar-se, a desculpar aquele estúpido que ela teima em amar.
Ele só se lembra dela quando vê que está prestes a perde-la. Tem sido assim nos últimos sete anos, sim, sete anos.. Sete anos é imenso tempo e quando não és feliz o tempo parece multiplicar-se por mil.. Eu sei que ela não é feliz, vejo-o nos seus olhos, mas tenta sempre mais uma vez, tenta que a relação deles resulte... O que farias tu? Fechavas os olhos ou tentavas abrir-lhe os dela??

Beijinhos minha querida*

Joana ' disse...

Gosto tanto de ti, por isso... Tens sempre a palavra certa, no momento certo!
Obrigada mais uma vez pelas tuas palavras.

Eu vou falar com ela, mas não quero insistir.. O ombro irá cá estar sempre, não fossemos nós do mesmo sangue.

Beijinhos Querida

Rui Fernandes disse...

Blog perfeito... Escrita perfeita...

Tudo perfeito...

Prometo voltar.----

Rui Fernandes disse...

Podes ter a certeza que voltarei.... apaixonas-me com esses textos maravilhosos...

Beijinho

a musica de fundo é excelente

André disse...

Bem a minha fiel seguidora, já merecia sem dúvida, um, ou mais, comentários deste seu fiel seguidor. ;D Queira perdoar o atraso em questão. ( :

Ainda valerá a pena glorificar a enormidade das tuas palavras, quando na realidade, as ditas nos fazem sentir, estremecer, um sentimento que por mais que tente é infinitamente impossível de reproduzir por meras palavras. Sabes o puro talento tem destas coisas, apresenta resultados que derrubam a barreira dos mais cépticos, e efeitos secundários que nos transcendem e nos deixam num silêncio “feliz”.

Existem coisas que se dizem por dizer, e outras que não se dizem mas sentem-se num grau elevadíssimo, que bastaria um mero olhar para serem de facto desvendadas. Ao ter o prazer de ler os teus textos fazes-me sentir assim, sinto que através de um simples olhar por mim emitido, conseguirias perceber a magnitude das tuas palavras, reflectido em algo tão simples, mas que acarreta algo tão significativo.

É verdade que fazes sentir, viver, reviver os sentimentos que recrias com mestria e uma exactidão de régua e esquadro. ; ) É tão fácil viajar na linha periférica onde debitas os teus pensamentos sentimentos, emoções. Considero-me um privilegiado por poder manter um lugar de 1ª classe. ;D

O sentimento que brota dessa escrita continua num estado que podemos catalogar de presente, vivo, guardado, arrumado, mas nunca esquecido. O que por vezes queremos, ou tentamos repelir abate-se sobre nós nos momentos menos oportunos. Recomeçar, vezes sem conta não tem mal nenhum. E na realidade parte inerente desse processo, que sei com certeza plena, no seu final, sairás eleita a grande vencedora. Tens tudo do teu lado. ;)
Um grande beijinho Miss L. ^ ^

Miss Kin disse...

Foge! Foge desse sentimento e dessa pessoa, há vícios maus que parece que não conseguimos combater, mas que no fundo só ñ os expulsamos da nossa vida porque não queremos realmente, porque a esperança é a última a morrer...

Mas na mesma, faz com que morra essa esperança antes de ti como te conheces. Sei do que falo.